Ao menos 23 pessoas morreram no ataque, segundo informou neste sábado o presidente Roch Marc Christian Kabore, que classificou a ação como "covarde".
O ministro de Segurança do país, Simon Compaore, disse à rádio estatal que as vítimas do ataque ao Hotel Splendid, frequentado por turistas estrangeiros, são de 18 nacionalidades.
O atentado foi reivindicado pela Al Qaeda no Magreb Islâmico, braço da rede terrorista.
Militares do Exército burquinense e tropas francesas retomaram o controle do Splendid e do restaurante vizinho Cappuccino na manhã deste sábado (16) e libertaram 126 reféns.
O ministro Compaore afirmou que ao menos 33 dos reféns ficaram feridos e três invasores foram mortos, dois africanos e um árabe.
Uma segunda operação acontece no Hotel Yibi, próximo ao local do sequestro, onde as forças de segurança suspeitam que parte do grupo armado possa ter se escondido. Segundo o presidente Kabore, um quarto criminoso foi morto no hotel.
O presidente afirmou ainda que dois dos invasores eram mulheres, mas não deu mais detalhes.
INVASÃO
Editoria de arte/Folhapress |
No Splendid, que tem 147 quartos, se hospedam frequentemente turistas de países ocidentais e funcionários das Nações Unidas.
As forças de segurança isolaram o bairro, onde uma dezena de carros foram incendiados durante a noite.
A Al Qaeda no Magreb Islâmico reivindicou o ataque, que atribuiu à organização Al Murabitun, sua aliada no norte da África.
Entre os reféns, estava o ministro de obras públicas do país, Clément Sawadogo, que foi libertado durante a madrugada.
O ataque sem precedentes contra a capital de Burkina Fasso, país de maioria muçulmana (60%), é um desafio para o presidente Kabore, recém-eleito após um período de transição em tempos caóticos. Ele convocou uma reunião de emergência para a manhã deste sábado.
Burkina Fasso, que se tornou independente da França em 1960, é um importante aliado de Paris e de Washington no combate a militantes islamitas no oeste da África.
O presidente francês, François Hollande, disse apoiar a nação contra o "ataque odioso e covarde".
A Embaixada Americana no país também condenou o ataque, que descreveu como uma ação "sem sentido contra pessoas inocentes".
PAÍS VIZINHO
A invasão ocorre menos de dois meses depois do ataque ao hotel Radisson Blu na capital do Mali, Bamako, que deixou 20 mortos, incluindo 14 estrangeiros. Dois grupos reivindicaram o ataque de Bamako: Al Murabitun e a Frente de Libertação de Macina (FLM, movimento jihadista malinês).
Harouna Traore - 20.nov.2015/Associated Press | ||
Pessoas fogem do Hotel Radisson Blu, em Bamaco (Mali), onde terroristas mataram pelo menos 20 |
Após esses ataques, os serviços consulares franceses em Burkina Fasso ampliaram sua zona vermelha de perigo, desaconselhando viagens para grande parte do país. Ainda que a capital não tenha sido incluída, Paris recomendou prudência. Fontes de segurança tinham sugerido a hipótese de ataques jihadistas na região.
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