Secretário de Segurança diz que há mortes em rebelião de presídio do RN mais ainda não há número de vítimas após motim em duas penitenciárias estaduais vizinhas
BRASÍLIA — O secretário de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte, Wallber Virgolino, informou que há confirmação de mortos na rebelião de detentos em dois presídios estaduais vizinhos, as penitenciárias de Alcaçuz e Rogério Coutinho Madruga, que ficam no município Nísia Floresta, na região metropolitana de Natal. Ele não soube precisar quantos corpos existem.
Virgolino afirmou ao GLOBO que a situação era crítica mas que a Polícia Militar estava retomando o controle do presídio. Segundo ele, os policiais já haviam conseguido entrar na penitenciária, mas havia espaços dentro do local que ainda estavam sobre o controle dos presos.
Uma briga entre duas facções PCC e Sindicato do Crime gerou o motim. É o mesmo motivo que fez eclodir as rebeliões que mataram 56 no Amazonas e 31 em Roraima nos primeiros dias do ano. De acordo com o secretário, os criminosos estão separados entre os presídios e por pavilhões.
Questionado sobre se o estado havia pedido ajuda para o governo federal, o secretário se limitou a dizer que, sobre esse assunto, quem deve opinar é o governador, que tem contato direto com o ministro da Justiça. O ministério da Justiça foi procurado mas não se posicionou até o fechamento desta edição.
A rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal, teve início na tarde deste sábado, por volta das 16h30m. Ao G1, o major Eduardo Franco, da comunicação da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, disse que houve invasão de presos do pavilhão 1 no pavilhão 5, onde estão internos de uma facção criminosa rival.
Segundo informações da secretaria estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc), a penitenciária tem capacidade para 620 presos, porém, abriga 1.083 pessoas. A unidade é composta por cinco pavilhões e tem 151 celas. Em imagens divulgadas pela PM, é possível ver presos no teto de um dos pavilhões neste sábado.BRASÍLIA — O secretário de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte, Wallber Virgolino, informou que há confirmação de mortos na rebelião de detentos em dois presídios estaduais vizinhos, as penitenciárias de Alcaçuz e Rogério Coutinho Madruga, que ficam no município Nísia Floresta, na região metropolitana de Natal. Ele não soube precisar quantos corpos existem.
Virgolino afirmou ao GLOBO que a situação era crítica mas que a Polícia Militar estava retomando o controle do presídio. Segundo ele, os policiais já haviam conseguido entrar na penitenciária, mas havia espaços dentro do local que ainda estavam sobre o controle dos presos.
CABEÇAS DE PRESOS ESTÃO SENDO JOGADAS NO PÁTIO DO PAVILHÃO DA PENITENCIÁRIA DE ALCAÇUZ
— Os policiais já entraram, estamos retomando o controle, mas sabemos que a situação é crítica. O presídio é muito extenso, não conseguimos chegar a todos os locais ainda — disse, durante a rebelião.Uma briga entre duas facções PCC e Sindicato do Crime gerou o motim. É o mesmo motivo que fez eclodir as rebeliões que mataram 56 no Amazonas e 31 em Roraima nos primeiros dias do ano. De acordo com o secretário, os criminosos estão separados entre os presídios e por pavilhões.
Questionado sobre se o estado havia pedido ajuda para o governo federal, o secretário se limitou a dizer que, sobre esse assunto, quem deve opinar é o governador, que tem contato direto com o ministro da Justiça. O ministério da Justiça foi procurado mas não se posicionou até o fechamento desta edição.
A rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal, teve início na tarde deste sábado, por volta das 16h30m. Ao G1, o major Eduardo Franco, da comunicação da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, disse que houve invasão de presos do pavilhão 1 no pavilhão 5, onde estão internos de uma facção criminosa rival.
As autoridades do Rio Grande do Norte já estavam em alerta para eventuais tensões nas penitenciárias do estado após o massacre em presídios de Manaus e Roraima. Em reportagem do GLOBO publicada no dia 7, a presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do RN, Vilma Batista, disse que os presos haviam sido separados após uma briga de facções no ano passado.
Segundo autoridades, a facção Sindicato do Crime (SDC) ou Sindicato RN, é comandada por Gelson Lima Carnaúba, o G, também líder da Família do Norte (FDN), do Amazonas. O SDC surgiu há dois anos como forma de se opor ao crescimento do PCC no estado. Em agosto do ano passado, a facção foi responsável por ataques em 38 cidades. Ao menos três detentos foram mortos nas cadeias. Ao longo de 2016, foram registrados cerca de 30 suicídios de detentos. Segundo o Ministério Público, porém, esses presos foram mortos.
— Depois que o Sindicato RN desestabilizou o sistema penitenciário começou a briga por espaço com o PCC. O governo decidiu separar os presos — disse Vilma ao GLOBO na ocasião.
Na terça-feira, ao comentar a crise que colocou em evidência o descontrole e as condições degradantes do sistema penitenciário brasileiro, Virgolino disse ao GLOBO que estados fazem acordos tácitos com os presos para evitar rebeliões. Segundo ele, que é delegado de polícia, “o criminoso tem que se sentir criminoso” com regras rígidas de comportamento e sem benesses como ventilador ou tevê. E defende que “presídio não é hotel e preso não é hóspede”.
— Alguns estados fazem um acordo tácito com os presos. Tu fica quietinho e eu deixo entrar tudo pra tu. (...) O Estado recua, fica com medo do preso, e começa a aceitar de forma involuntária tudo do preso, para ele não bagunçar, não matar ninguém, não fazer rebelião — afirma, acrescentando:
— A gente tem que encarar o preso como preso. Se a educação pecou, se os programas sociais pecaram, não é problema nosso. Estamos lá para custodiar.
Para ele, preso não pode ter televisão ou ventilador na cela.
Ele chegou a comentar a superlotação de celas. Para o secretário, a situação não é aceitável, mas disse que é preciso gerenciar “com o que tem na mão” e que não pode trabalhar com a hipótese de que 20 presídios vão cair do céu no Rio Grande do Norte.
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