No clássico mais antigo entre os paulistas, só um time entrou em campo para jogar bola hoje. O Santos não foi essa equipe. Com apenas duas finalizações no gol em todo o jogo, o time da Vila Belmiro foi até a Arena Corinthians para se defender e tentar um empate sem gols. Sem seus três principais jogadores ofensivos (Gabriel, Lucas Lima e Ricardo Oliveira), esta parecia ser a única alternativa de Dorival Jr.
A estratégia não funcionou e, como nos mais empolgantes dias de 2011, a vitória chorada, por 1 a 0, chegou. Três pontos. Na raça.
Com a vitória de hoje, o Corinthians completa 26 partidas sem perder em casa. A última vez que isso aconteceu foi em agosto do ano passado. Faz tempo.
O jogo, bem, foi meio sem graça. O primeiro tempo reservou poucas emoções aos 30 mil torcedores que foram até Itaquera. Apenas Luciano que teve uma boa chance de cabeça, mas Vanderlei acabou salvando os santistas.
Tite escalou a mesma equipe que venceu o Sport no domingo, mas dessa vez a criatividade dos jogadores de ataque parou na retranca santista. O jogo fluía pouco, principalmente porque Fagner foi muito bem marcado. Os chuveirinhos na área pareciam inúteis com Luciano brigando com Gustavo Henrique.
Embora o ataque não funcionasse como o torcedor pedia e queria, a defesa corintiana não deixava uma bola chegar com perigo na grande área. Felipe estava em seus melhores dias e Vilson, sejamos justos, também foi seguro. Walter já é o dono da posição. Nenhuma chance real de gol em todos os 90 minutos. Nada.
A segunda etapa reservava um desfecho feliz, mas sofrido. A obrigação de vencer o Santos desfalcado dentro de casa era nossa e os jogadores sabiam disso. Tite decidiu abrir o time e colocou Lucca no lugar de Marquinhos Gabriel. Depois, avançou a linha do meio-campo substituindo Bruno Henrique por Rodriguinho e também escolheu André para tentar alguma coisa nos minutos finais.
A pressão já pré-anunciava aquele gol chorado no fim para garantir a vitória. O chuveirinho, tão utilizado durante o jogo, funcionou ao menos uma vez. Depois de uma cobrança de falta de Fagner pelo lado direito, a bola atravessou a área e foi parar do outro lado para Guilherme, que alçou mais uma vez a redonda aos atacantes. A bola ainda resvalou nas cabeças de Felipe e Cristian antes de sobrar para Giovanni Augusto dar um chute caindo e marcar o gol da vitória. Chorado. Na raça. Do jeito que a gente tá acostumado.
O Corinthians desse Brasileiro tá me lembrando o Corinthians de 2011. Naquele ano, 17 das 21 vitórias da campanha do penta brasileiro foram conquistadas com apenas um gol de diferença. Tudo na base da luta, da vontade, ao contrário do time de 2015, que tinha raça, mas construía as vitórias na base do talento e da individualidade de cada atleta.
Como em 2011 ou em 2015, no talento ou na raça, não importa. Por um ou três a zero, que as vitórias continuem aparecendo. Na Arena Corinthians eu tenho certeza que elas continuarão. Em Itaquera é diferente. São mais de 30 mil. É Fiel. É Corinthians.
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