O Samu sofre com os reflexos do mau funcionamento da unidade, pois, com a demora na assistência, os carros ficam parados na unidade e não podem seguir com os atendimentos de urgência (Foto: José Leomar)
A crise enfrentada pela população na saúde pública de Fortaleza parece ainda estar longe de ter um ponto final. No Hospital Distrital Maria José Barroso de Oliveira, o Frotinha da Parangaba, por exemplo, problemas como superlotação, falta de leitos e insuficiência de médicos são constantemente registrados. A reportagem esteve ontem na unidade e flagrou a situação de desespero enfrentada diariamente por pacientes que necessitam de atendimentos.
São corredores lotados, longas filas e pessoas aguardando atendimentos em macas. Os acompanhantes também sofrem com a falta de estrutura da unidade, e reclamam que não possuem nenhum lugar de espera, precisando ficar horas de pé. Além dos populares, a superlotação acaba afetando também os profissionais, que apontam dificuldades para prestar um serviço adequado à população.
Somente na manhã de ontem, mais de 80 pessoas estariam aguardando atendimento para a especialidade de traumatologia, conforme relatou uma das enfermeiras do hospital, que preferiu não ser identificada. Três pessoas, inclusive, necessitavam passar por cirurgias.
SamuO Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) sofre com os reflexos do mau funcionamento do Frotinha. Enquanto a reportagem esteve no local, foi possível flagrar quatro ambulâncias paradas no estacionamento do hospital aguardando a liberação de macas. De acordo com socorristas do Samu, a espera para que uma pessoa socorrida seja atendida chega a demorar até 3h30, dependo da lotação e da gravidade. Durante este tempo, os veículos e toda a equipe médica do Samu permanecem parados no hospital, longe das ruas e chamados de urgência.
"Enquanto as pessoas que são socorridas pelo Samu não são atendidas no hospital, nós temos que permanecer aqui. O paciente fica aguardando o atendimento nas macas e o nosso auxiliar precisa acompanhá-lo. Com isso, são menos carros nas ruas para realizar os demais socorros", disse a socorrista do Samu Ana Lorena, que havia levado um acidentado ao hospital.
A situação crítica por qual passa o Frotinha foi agravada ainda mais durante a madrugada da última terça-feira (26), quando uma idosa de 84 anos morreu, após passar mal enquanto aguardava atendimento. De acordo com o Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos do Município de Fortaleza (Sindfort), no momento em que a paciente faleceu, 47 pessoas estavam nos corredores do hospital aguardando o atendimento.
Gravidade"Na madrugada em que a idosa faleceu, a unidade só estava atendendo pacientes do eixo vermelho (mais graves). Mas indicaram que ela era do eixo amarelo, que são pessoas menos graves. Mas a paciente sofria de problemas cardíacos e, durante o tumulto, ela passou mal e acabou falecendo. Após o ocorrido, um médico, uma enfermeira e uma técnica de enfermagem receberam voz de prisão de um policial que era parente da vítima. A equipe médica chegou a ser levada à delegacia. Mas a culpa não é deles, pois o atendimento do Frotinha é precário", explicou a diretora setorial de saúde do Sindifort, Regina Claudia Neri.
Em nota, a presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Mayra Pinheiro, acrescentou que o Frotinha vem apresentando, frequentemente, problemas com superlotação, tendo pacientes em corredores e salas e profissionais exaustos.
Procurado pela reportagem, a direção geral do Frotinha da Parangaba preferiu não se pronunciar sobre os problemas. Por meio da assessora, a direção informou apenas que somente a Secretária Municipal de Saúde (SMS) poderia se pronunciar oficialmente sobre os casos. A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da SMS às 12h10, mas, até o fechamento desta edição, o órgão, que se comprometeu enviar nota, não havia respondido à demanda.
Fonte: Diário do Nordeste
São corredores lotados, longas filas e pessoas aguardando atendimentos em macas. Os acompanhantes também sofrem com a falta de estrutura da unidade, e reclamam que não possuem nenhum lugar de espera, precisando ficar horas de pé. Além dos populares, a superlotação acaba afetando também os profissionais, que apontam dificuldades para prestar um serviço adequado à população.
Somente na manhã de ontem, mais de 80 pessoas estariam aguardando atendimento para a especialidade de traumatologia, conforme relatou uma das enfermeiras do hospital, que preferiu não ser identificada. Três pessoas, inclusive, necessitavam passar por cirurgias.
SamuO Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) sofre com os reflexos do mau funcionamento do Frotinha. Enquanto a reportagem esteve no local, foi possível flagrar quatro ambulâncias paradas no estacionamento do hospital aguardando a liberação de macas. De acordo com socorristas do Samu, a espera para que uma pessoa socorrida seja atendida chega a demorar até 3h30, dependo da lotação e da gravidade. Durante este tempo, os veículos e toda a equipe médica do Samu permanecem parados no hospital, longe das ruas e chamados de urgência.
"Enquanto as pessoas que são socorridas pelo Samu não são atendidas no hospital, nós temos que permanecer aqui. O paciente fica aguardando o atendimento nas macas e o nosso auxiliar precisa acompanhá-lo. Com isso, são menos carros nas ruas para realizar os demais socorros", disse a socorrista do Samu Ana Lorena, que havia levado um acidentado ao hospital.
A situação crítica por qual passa o Frotinha foi agravada ainda mais durante a madrugada da última terça-feira (26), quando uma idosa de 84 anos morreu, após passar mal enquanto aguardava atendimento. De acordo com o Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos do Município de Fortaleza (Sindfort), no momento em que a paciente faleceu, 47 pessoas estavam nos corredores do hospital aguardando o atendimento.
Gravidade"Na madrugada em que a idosa faleceu, a unidade só estava atendendo pacientes do eixo vermelho (mais graves). Mas indicaram que ela era do eixo amarelo, que são pessoas menos graves. Mas a paciente sofria de problemas cardíacos e, durante o tumulto, ela passou mal e acabou falecendo. Após o ocorrido, um médico, uma enfermeira e uma técnica de enfermagem receberam voz de prisão de um policial que era parente da vítima. A equipe médica chegou a ser levada à delegacia. Mas a culpa não é deles, pois o atendimento do Frotinha é precário", explicou a diretora setorial de saúde do Sindifort, Regina Claudia Neri.
Em nota, a presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Mayra Pinheiro, acrescentou que o Frotinha vem apresentando, frequentemente, problemas com superlotação, tendo pacientes em corredores e salas e profissionais exaustos.
Procurado pela reportagem, a direção geral do Frotinha da Parangaba preferiu não se pronunciar sobre os problemas. Por meio da assessora, a direção informou apenas que somente a Secretária Municipal de Saúde (SMS) poderia se pronunciar oficialmente sobre os casos. A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da SMS às 12h10, mas, até o fechamento desta edição, o órgão, que se comprometeu enviar nota, não havia respondido à demanda.
Fonte: Diário do Nordeste
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