São Paulo. Os economistas já afirmam quase unanimemente que a economia bateu no fundo do poço e começa a reagir. Dos dez principais setores que fazem a roda do crescimento girar, sete já esboçam recuperação, segundo levantamento feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Mas há outro consenso entre os especialistas: a robustez e a velocidade da retomada estão nas mãos do governo. O ponto de partida de um novo ciclo virtuoso é o ajuste fiscal nas contas públicas. Na avaliação geral, o ajuste será deslanchado após o julgamento do impeachment, nesta semana, com a definição de quem por direito tem aval para bancar medidas duras de cortes de gastos.
Prévias do Produto Interno Bruto (PIB) já mostram que alguns setores, em especial na indústria, reagiram no segundo trimestre deste ano. A expectativa é que os dados oficiais do PIB, que serão divulgados no decorrer desta semana, já apontem uma retração menor da economia, perto de 0,2%.
Contribuições
Caio Megale, economista do Itaú Unibanco, lembra que a recuperação econômica virá de duas frentes. Uma parte, diz, ficará por conta da "regeneração natural do tecido econômico". Nesse caso, cumpriu-se um ciclo: a recessão derrubou o consumo e a produção, o que levou ao uso de estoques. Gradativamente, a produção é retomada, mas para atender a um consumo menor. Nesse processo, o câmbio cedeu, favorecendo a produção voltada à exportação.
Foi esse fenômeno natural que levou a indústria em geral a apresentar crescimento em volume físico de 1,2% no segundo trimestre, o primeiro saldo desde junho de 2013. "Os eventos esportivos pautaram a recessão: ela começou depois da Copa e tudo indica que se encerra na Paralimpíada", diz Megale.
Três motores fundamentais da economia, porém, estão desligados: óleo, gás e biocombustíveis têm retração de 5,5% e a agropecuária, de 0,5%. Preocupa o comércio, com queda de 0,4%, item do setor de serviços, que sozinho sustenta dois terços do crescimento.
Serviços
"O setor de serviços depende do consumo das famílias, que deve continuar deprimido", argumenta Silvia Matos, economista pertencente ao Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).
Ajuste fiscal
Mas a recuperação natural da economia só vai se sustentar se for acompanhada pelo ajuste fiscal, dizem os economistas. A razão é simples. As contas públicas balizam a percepção de risco dos investidores em relação à capacidade de o governo pagar a dívida pública. Contas no azul, risco menor. Contas no vermelho - como agora -, risco maior. A percepção de risco também influencia a taxa de juros. Esses, por sua vez, balizam o crédito, fundamental para amparar consumo e investimento, molas propulsoras do crescimento. "O ajuste fiscal é a primeira condição para o crescimento - e isso está na mão do governo, diz o economista Affonso Celso Pastore, sócio-fundador da A.C. Pastore & Associados e ex-presidente do BC.
Mas os economistas alertam que não pode ser qualquer ajuste. Se for capenga, jogará o País no marasmo, com PIBs anuais na casa de 1%. Mas se bem conduzido fará o inverso. "O PIB pode crescer de 2% a 3% no ano que vem, se o governo entregar o ajuste que promete", afirma o economista Bráulio Borges.
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