Pai confessa que matou garotinha encontrada em canavial

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As forças policiais de Goianésia convocaram uma entrevista coletiva neste domingo, 09, e esclareceu o caso da garotinha que foi encontrada gravemente ferida em um canavial no Residencial Ipê. Emilly Beatriz Rodrigues de Jesus, de 01 ano, acabou não suportando o ferimento e morreu quando era operada em Goiânia.

Durante a entrevista coletiva comandada pelo delegado Marco Antônio Maia, da Polícia Civil, e pelo TEN Paulo, da sessão de comunicação da Polícia Militar, foi anunciado que Marcelo Rodrigues Machado, de 26 anos, pai da criança, seria o autor do crime. Ele teria confessado o crime durante depoimento na presença da polícia, familiares, advogado e psiquiatra.



    TEN Paulo explicou que a informação que chegou ao Centro de Operações da Polícia Militar - COPOM - foi de que alguns elementos haviam sequestrado Marcelo e Emilly e os teriam levado para o canavial. De imediato, todas as viaturas deslocaram para o setor, inclusive, policiais militares da parte administrativa. Confiando na versão apresentada por Marcelo, pai e filha foram socorridos pelos próprios policiais, até porque a garotinha estava desacordada e com um ferimento na cabeça. No entanto, quando Marcelo retornou à cena do crime sua versão começou a cair por terra.

    A Polícia Cientifica de Goiás, regional de Ceres, foi acionada e durante a perícia a desconfiança dos policiais de que o pai da criança seria o autor do crime foi aumentando. Marcelo não conseguia repetir os fatos e o que pesava, de acordo com o delegado, era o fato de o pai da criança ser um homem querido pelos familiares, que inclusive começaram a criticar o trabalho da polícia quando passaram a suspeitar de Marcelo.

    Versão apresentada por Marcelo
    Marcelo teria sido sequestrado juntamente com a pequena Emilly no instante que eles saíram para comprar geladinha em uma residência próxima a casa que eles moravam. Segundo Marcelo, ocupantes de um gol preto, modelo antigo, teriam abordado eles. Dois ocupantes desceram, um de bermuda florida, e outro de calça jeans, sendo que um deles estava de posse de uma arma de fogo. A dupla ordenou que eles entrassem no canavial, enquanto os outros ocupantes (2) do gol evadiram pela Rua 23 sentido norte/sul.

    Com a filha nos braços e temendo o pior, Marcelo começou a proteger a filha, porém, no meio do canavial, um dos meliantes apontou a arma na cabeça de Emilly, atirou e em seguida evadiram embrenhando no meio das canas. Quando a PM chegou ao local, ele informou a direção de fuga dos criminosos e a polícia então começou a procurar por estes dois elementos.

    Esta versão começou a ser desconstruída quando os policiais perceberam que as roupas de Marcelo não estavam ensanguentadas. Outra fato importante foi que a perícia não encontrou outras pegadas no canavial a não ser as do próprio Marcelo, além de que, vestígios de sangue no carreador do canavial mostrava que a criança teria sido baleada no chão e as câmeras de segurança da região não flagrou nenhum tipo de carro com as características apresentadas por Marcelo.

    Versão apresentada pela polícia
    O delegado Marco Antônio Maia disse que durante o depoimento, depois de ganhar a confiança do suspeito e ser atendido por um psiquiatra, Marcelo abriu o jogo e detalhou o crime.

    Na tarde de sexta-feira, 07, após uma discussão com a esposa (o casal preparava uma festa de aniversário para filha), Marcelo saiu com Emilly com a desculpa de comprar geladinha, porém, a real intenção dele era matar a filha e em seguida se matar. No meio do canavial, ele atirou na cabeça de Emilly, mas não teve coragem de atirar na própria cabeça. Em seguida, Marcelo se arrependeu do que havia feito e tentou socorrer a filha.

    Marcelo disse à polícia que a todo o momento ouvia vozes e depois inventou a história do carro preto para que pudesse explicar as vozes que ele ouvia e o empurrava para o canavial.

    Histórico de tentativa de suicídio
    Para Marco Antonio Maia, o caso chocou os policiais envolvidos no caso. Segundo o delegado, ele preferiria que o crime tivesse sido cometido pelos quatro elementos citados por Marcelo do que pelo próprio Marcelo, no entanto, estas vozes que ele diz ouvir já o havia levado, em outras ocasiões, a tentar se matar. Na tarde de sexta, outro surto psicótico culminou na tragédia.

    Marcelo Rodrigues será encaminhado para Goiânia onde passará por mãos de especialistas que tentará descobrir entre outras coisas se ele matou a filha sabendo o que estava fazendo ou se realmente surtou e cometeu o crime quando estava “fora de si”.

    Caso comprove que ele tinha ciência do que estava fazendo, ele será indiciado por homicídio e poderá pegar de 12 a 30 anos de prisão, caso contrário, será encaminhado para um presídio psiquiátrico para então passar por um tratamento.

    A arma (calibre 22 ou 32) utilizada no crime não foi encontrada. Nos próximos dias, uma nova varredura pelo local será feita. A dificuldade em encontrar a arma se dá pelo fato do revólver ser pequeno e o mato estar muito alto.

    Por já possuir uma arma, o delegado não descarta que o crime foi premeditado, pelo menos no que diz respeito a suicídio.
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